Uma Crônica de la Pampería, feito uma cruz tatuada no peito

Uma Crônica de la Pampería, feito uma cruz tatuada no peito

Ponte Internacional Barão de Mauá – Quem viu, viu. Quem não viu, não viu ou terá de acreditar na versão deste cronista.

Em plena Barão de Mauá, o personagem reapareceu. Parecia ter trocado Gotham City pelo Pampa Sem Fronteiras. Um Coringa à luz do dia, entre um país e outro.

Quem não conhece a Ponte Barão de Mauá talvez não saiba da existência do seu canteiro central. Ali, décadas atrás, trafegavam locomotivas tão pesadas que hoje a gente se pergunta como a estrutura ainda resiste.

Foi justamente nesse canteiro, sobrevivente do tempo, que nos veio um dançarino apaixonado. Maio. Mês em que taurinos e geminianos dão vida e algum sentido esotérico ao mundo.

E então nos vimos assim: dançando com ênfase sobre a ponte que une dois países amigos, hermanos. Se a nossa cara de Pampería não vem com a maquiagem de um ator hollywoodiano, a gente providencia a máscara perfeita. E, nesta dança, há de haver um cavalo por companhia.

Ele na verdade ficou ali do lado, vendo tudo como fiel testemunha. Sim, ele tem nome. Chama-se Tordilho e abomina o uso de sua imagem em comerciais de cigarro.

Calma, Tordilho! Já não se fazem comerciais de cigarro como antigamente. Aliás, nem se pode mais fazer publicidade desse produto. Ao menos em território brasileiro. E tudo bem, porque Tordilho, nesta história, não passa de representação.

Feito um coringa renascido, atravessávamos uma ponte lendária sobre um rio que move moinhos. A alegria era tanta que o destino parecia óbvio: os free shops que dão vida ao comércio da região.

No entanto, este coringa não ia atrás de produtos importados. Seu objetivo era outro: comprar dúzias de caixas do melhor alfajor que existe.

É assim que o sujeito faz quando está enamorado. Compra toneladas do melhor alfajor do mundo para a sua Dulcineia, que talvez viva em algum canto do Pampa. Ou, mais precisamente, no coração do Quixote, feito uma cruz tatuada no peito.

Não por coincidência, um sinal de paixão. E também de renascimento.

Porque há amores que passam como o vento minuano. E há outros que permanecem atravessando a alma como uma ponte antiga sobre o Rio Jaguarão.

Cronista de la Pampería

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