Porto Alegre – A canção “Patrimônio dessa Terra” foi escolhida como música oficial dos Festejos Farroupilhas 2026. A decisão foi anunciada pela Comissão Estadual dos Festejos Farroupilhas na quinta-feira 28 de maio.
A obra foi composta por Flávia Nogueira, que se tornou a primeira mulher a vencer o concurso desde sua criação, em 2005. Além disso, a música representa um marco para a presença feminina na composição nativista gaúcha.
Neste ano, os Festejos Farroupilhas terão como tema “Herança Jesuítica e Guarani no Rio Grande do Sul: 400 anos de cultura e tradição”. Dessa forma, a canção busca valorizar as raízes históricas e culturais que ajudaram a formar a identidade do povo gaúcho.
Concurso reuniu artistas de várias regiões do Estado
A seleção da canção mobilizou músicos de diferentes regiões do Rio Grande do Sul, conforme publicação da Secretaria Estadual da Cultura. Ao todo, a chamada pública recebeu 17 composições.
Além dos integrantes da comissão organizadora, a avaliação contou com a participação de Adriana Sperandir, diretora do Instituto Estadual de Música (IEM).
Os jurados analisaram critérios como:
- Adequação ao tema;
- Qualidade literária;
- Originalidade;
- Identidade regional;
- Consistência melódica;
- Potencial de comunicação.
Segundo a comissão, a diversidade das obras inscritas demonstrou a força da música nativista contemporânea e sua capacidade de manter viva a cultura gaúcha.
Chamamé destaca a herança indígena e missioneira
Em ritmo de chamamé, “Patrimônio dessa Terra” conquistou os avaliadores pela riqueza poética e pela ligação com o tema dos festejos.
A composição valoriza os povos indígenas e reconhece a contribuição de guaranis, charruas e kaingangs para a formação da identidade do Rio Grande do Sul.
Além disso, a obra ressalta a influência das Missões Jesuíticas na construção cultural do Estado. Por isso, a canção fortalece a memória histórica e o sentimento de pertencimento que une comunidades de todo o Pampa Gaúcho e do Pampa Sem Fronteiras.
Como reconhecimento, Flávia Nogueira receberá um prêmio de R$ 5 mil.
Flávia Nogueira faz história no tradicionalismo gaúcho
Flávia Nogueira possui uma trajetória consolidada no movimento tradicionalista. Ao longo dos anos, atuou como prenda de faixa, dançarina de invernadas artísticas, declamadora e intérprete em festivais nativistas.
Ela também participou do Encontro de Artes e Tradição Gaúcha (Enart), uma das maiores referências culturais do Estado.
Por isso, sua vitória representa não apenas um reconhecimento artístico, mas também um avanço na valorização das mulheres dentro da música tradicionalista.
Leandro Berlesi interpreta a canção vencedora
A interpretação de “Patrimônio dessa Terra” ficará a cargo de Leandro Berlesi, cantor e produtor cultural reconhecido no meio tradicionalista.
Sua carreira está ligada às danças tradicionais gaúchas e aos musicais apresentados em grupos de dança do Enart.
Entre seus trabalhos estão o álbum Danças Tradicionais Gaúchas e a produção de trilhas sonoras e espetáculos culturais.

Música reforça a identidade dos gaúchos
Segundo a Comissão Estadual, a canção escolhida reafirma o compromisso dos Festejos Farroupilhas 2026 com a valorização da história, da cultura e das diferentes identidades que formam o povo gaúcho.
Ao mesmo tempo, a obra destaca a contribuição indígena, missioneira e guarani para a construção do Rio Grande do Sul.
Assim, ao celebrar 400 anos dessa herança cultural, a música ajuda a preservar a memória regional e fortalece os laços que unem os gaúchos dos campos, das cidades e das regiões de fronteira em um verdadeiro Pampa Sem Fronteiras.
Letra da canção “Patrimônio dessa Terra”
Compositora: Flávia Nogueira
Intérprete: Leandro Berlesi
História índia missioneira e seu legado
Força gaúcha que forjou o nosso Estado
É tradição, do meu chão
Lanças charruas e o sotaque guarani
Os kaingangs que viviam por aqui
Têm tradição do meu chão
Padre González na redução de São Nicolau
Foi o marco inicial da riqueza que viria
E hoje em dia, 400 anos celebra
É patrimônio dessa terra, um passado de galhardia
Jaci, Tupã, teus deuses e a Caá-Yari
No sorver da tacuapi, traços de ancestralidade
Identidade que moldou o nosso chão
Na roda de chimarrão, simbolismo de amizade
De pedra e bronze, barro e sangue são forjados
Quatro braços palanqueados
Junto ao campo dos guerreiros
Tão verdadeiro como a alma desse Estado
Tem raízes no passado, nosso orgulho missioneiro!
(Imagem de capa: Deivis Bueno)
