Porto Alegre – A Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) aprovou o título de Doutora Honoris Causa para Conceição Evaristo. A decisão foi tomada na sexta-feira 28 de agosto.
A homenagem reconhece a trajetória da escritora e sua contribuição para a literatura brasileira. Além disso, destaca sua atuação na educação e a importância de sua obra no enfrentamento ao racismo.
A proposta partiu do Coletivo de Estudantes Negros da Pedagogia, do Coletivo UFRGS Negra e do Movimento Negro Unificado. Depois, a Faculdade de Educação (Faced) encaminhou o pedido ao Conselho Universitário (Consun), que aprovou a concessão.
Por enquanto, a UFRGS ainda não informou a data da cerimônia de entrega do título de Doutora Honoris Causa.
Obra de Conceição Evaristo ganha reconhecimento da UFRGS
A concessão do título também reconhece a presença da obra de Conceição Evaristo na UFRGS. Seus livros e conceitos são usados em pesquisas de diferentes áreas da universidade.
Um dos principais destaques é a escrevivência. O conceito desenvolvido pela autora relaciona a escrita às experiências de vida, à memória e à realidade social.
Assim, a escrevivência passou a servir de referência para pesquisas e trabalhos acadêmicos.
Segundo o parecer da Comissão Especial do Conselho Universitário, há um número crescente de estudos realizados na UFRGS a partir da produção de Conceição Evaristo.
Escrevivência está presente em diferentes cursos
No Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEdu), por exemplo, dissertações e teses utilizam a escrevivência como referência teórica e metodológica.
Além disso, a influência da escritora aparece na graduação em Pedagogia e em áreas como Psicologia e Ciências Sociais.
No Instituto de Letras, a obra de Conceição Evaristo também ocupa espaço importante. Pesquisadores utilizam a escrevivência para analisar textos literários e outros temas.
O conceito aparece, ainda, em trabalhos de mestrado e doutorado do Programa de Pós-Graduação em Letras.

Quem é Conceição Evaristo?
Maria da Conceição Evaristo de Brito nasceu em 29 de novembro de 1946, em Belo Horizonte (MG).
Filha de uma lavadeira, ela cresceu em uma favela da capital mineira. Ainda criança, teve contato com o trabalho doméstico.
Ao mesmo tempo, sua formação foi marcada pelas histórias contadas dentro da família. Ao longo de sua trajetória, precisou conciliar trabalho e estudos.
Em 1971, Conceição Evaristo concluiu o Curso Normal no Instituto de Educação de Minas Gerais.
Dois anos depois, mudou-se para o Rio de Janeiro. Na cidade, foi aprovada em concurso público para trabalhar como professora primária.
Posteriormente, formou-se em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Em 1996, concluiu o mestrado em Literatura Brasileira pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Já em 2011, tornou-se doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense (UFF).
Foi durante sua pesquisa de mestrado que Conceição Evaristo desenvolveu as bases da escrevivência. Mais tarde, o conceito se tornou uma das principais referências de sua produção literária e intelectual.
Livros de Conceição Evaristo chegaram ao Vestibular da UFRGS
Conceição Evaristo é autora de obras reconhecidas no Brasil. Entre elas estão Ponciá Vicêncio (2003), Becos da memória (2006) e Olhos d’água (2014).
Além disso, Ponciá Vicêncio integrou a lista de leituras obrigatórias do Vestibular da UFRGS entre 2022 e 2024.
Agora, com a aprovação do título de Doutora Honoris Causa para Conceição Evaristo, a UFRGS amplia esse reconhecimento.
A homenagem destaca, portanto, a importância da escritora para a literatura, a educação e a produção acadêmica brasileira.
Imagem: Reprodução de Rovena Rosa/Agência Brasil
