Obra de Zé Darci inspirada em Ronaldinho Gaúcho mantém viva esperança do hexa

Obra de Zé Darci inspirada em Ronaldinho Gaúcho mantém viva esperança do hexa

Arroio Grande – A paixão pelo futebol também pode ser expressa por meio da arte. É isso que mostra o artista visual Zé Darci, morador de Arroio Grande, no extremo sul do Rio Grande do Sul. Em uma pintura criada durante a Copa do Mundo de 2010, ele transformou a admiração por Ronaldinho Gaúcho e o sonho do hexa da Seleção Brasileira em uma mensagem de esperança, identidade regional e valorização da cultura popular do Pampa.

Tela sobre o hexa homenageia Ronaldinho Gaúcho

Produzida em 2010, durante a Copa do Mundo da África do Sul, a tela “Brasil na África do Sul” foi pintada com tinta acrílica sobre tela e mede 50 por 50 centímetros. A obra representa o desejo dos brasileiros pela conquista do sexto título mundial, sonho que continua vivo a cada nova edição do torneio.

Embora o hexa não tenha sido conquistado em 2010 nem nas Copas seguintes, a torcida permanece forte. Atualmente, a expectativa acompanha a Copa do Mundo disputada nos Estados Unidos, Canadá e México.

Segundo Zé Darci, a pintura nasceu como uma homenagem aos grandes camisas 10 da história da Seleção Brasileira e teve em Ronaldinho Gaúcho sua principal inspiração.

“Em 2010, o Ronaldinho não foi convocado pelo então técnico Dunga. Mas a obra representa uma homenagem aos camisas 10 da Seleção. E, para fazer uma homenagem aos camisas 10, eu me inspirei no Ronaldinho Gaúcho. Essa obra foi para uma exposição na Europa, durante a Copa do Mundo da África do Sul, realizada pelo Circuito de Arte Brasileira, Colégio e Arte, de Minas Gerais”, relata o artista.

Obra do Pampa foi exposta em Pelotas

Em 13 de junho, a pintura foi exibida na Casa da Igualdade Racial, em Pelotas, apontada por Zé Darci como a terceira instituição do gênero no país e a primeira em território gaúcho. A exposição destacou a riqueza artística do Pampa e reforçou a importância da herança afro-brasileira na formação cultural e identitária da região.

Além disso, a presença da obra em Pelotas reforça a importância de divulgar artistas do extremo sul gaúcho e fortalecer a ideia de um Pampa sem fronteiras, unido pela memória, pela cultura e pelas tradições compartilhadas entre diferentes comunidades.

Zé Darci também sonha em apresentar a tela ao ex-jogador Ronaldinho Gaúcho e gostaria de vê-la exibida pela TV Globo.

“A Globo às vezes mostra artes ligadas ao futebol. Essa seria a intenção, mas chegar ao conhecimento do Ronaldinho já seria maravilhoso”, afirma.

Livro infantil e ateliê fortalecem a cultura regional

Além das pinturas, Zé Darci prepara o lançamento de seu primeiro livro de literatura infantil, intitulado provisoriamente “Menino que sonhava colorir o mundo”. A publicação deverá ser viabilizada por meio de financiamento coletivo.

“Em julho, acredito que já teremos o boneco do livro”, adianta o artista, sobre os primeiros contornos físicos da obra literária.

Zé Darci é fundador do Ponto de Cultura e Instituto Ateliê da Laje Zé Darci, localizado na periferia de Arroio Grande. O projeto surgiu com apoio do Projeto Kombit e de universidades públicas, como a UFRGS, a FURG e a Unipampa.

Desde 2022, o espaço tornou-se referência para escolas, universidades, músicos, poetas, coletivos culturais, comunidades quilombolas e movimentos sociais. O ateliê também abriga uma biblioteca negra com livros ilustrados pelo próprio artista, ampliando o acesso à leitura, à arte e à educação antirracista.

Mais de 100 obras produzidas em duas décadas

Com mais de 20 anos dedicados às artes plásticas, Zé Darci já produziu mais de 100 obras. Seus trabalhos foram apresentados em países como Chile, Alemanha, Itália e República Tcheca. Além disso, participou de mais de 70 exposições em cidades do Rio Grande do Sul.

Por meio de sua produção artística, o morador de Arroio Grande preserva memórias, fortalece identidades e ajuda a divulgar a riqueza cultural do extremo sul do Brasil. Assim, seu trabalho mostra que a arte também é uma forma de unir comunidades e valorizar um território marcado pela diversidade cultural do Pampa.

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