Exposição valoriza memória negra e história de Jaguarão

Exposição valoriza memória negra e história de Jaguarão

Jaguarão – A Cidade Heroica recebe a exposição “A vida em luta e festa: retratos da comunidade negra em Jaguarão”, uma mostra que valoriza a memória, a resistência e o protagonismo da população afrodescendente na fronteira entre Brasil e Uruguai.

A iniciativa é realizada pelo Grupo de Estudos sobre Escravidão e Pós-Abolição (GEESPA), vinculado ao Laboratório de História Social e Política (LAHISP) da Universidade Federal do Pampa, campus Jaguarão, em parceria com o Clube 24 de Agosto, a Pró-Reitoria de Extensão da universidade e o Edital Profext.

Aberta ao público no hall da instituição, a exposição reúne fotografias históricas que retratam a luta, a cultura e as celebrações da comunidade negra jaguarense. Ao valorizar essas memórias, a mostra reforça a importância da população negra na construção da identidade cultural do Pampa e da região de fronteira.

Exposição destaca protagonismo negro na fronteira

A exposição apresenta 12 fotografias em preto e branco produzidas entre as primeiras décadas e meados do século XX. As imagens mostram famílias, trabalhadores, lideranças, espaços de convivência e manifestações culturais que ajudam a compreender a presença e a contribuição da população negra para a formação de Jaguarão.

Segundo os organizadores, o objetivo é valorizar diferentes formas de protagonismo negro ao longo da história local. Dessa forma, a mostra evidencia tanto a resistência ao racismo quanto a construção de espaços de cidadania, cultura e liberdade.

Além das fotografias, o público encontra textos reflexivos que contextualizam os registros históricos e convidam à reflexão sobre a luta antirracista na região.

“Buscamos trazer fotografias que evidenciam diferentes protagonismos negros, na luta contra o racismo e pela afirmação de uma cidadania irrestrita para as famílias negras. Essas lutas atravessaram séculos em Jaguarão e legaram instituições representativas, como o Clube 24 de Agosto”, destacam os responsáveis pela exposição.

Projeto levará a memória negra para as escolas

A iniciativa não ficará restrita ao espaço universitário. Após o encerramento da exposição, marcado para o dia 16 de junho, o material passará a circular pelas escolas da rede municipal de Jaguarão.

Para apoiar as atividades pedagógicas, os organizadores produziram cartões-postais com as 12 fotografias da mostra e textos voltados à educação antirracista e à valorização da história negra na fronteira.

De acordo com integrantes do projeto, a ação busca aproximar estudantes da história local e fortalecer o sentimento de pertencimento das novas gerações ao território onde vivem.

Projeto já alcançou mais de 1.300 adolescentes

O trabalho desenvolvido pelo grupo vai além da exposição. Desde a pandemia, a oficina Territórios Negros já atendeu cerca de 1.300 adolescentes por meio de atividades educativas e materiais didáticos voltados à valorização da cultura afro-brasileira.

Além disso, durante a Semana da Consciência Negra de 2025, foi lançado o site do acervo digital do Clube 24 de Agosto. O portal reúne mais de 700 fotografias catalogadas e digitalizadas, além de outros documentos históricos.

Clube 24 de Agosto preserva a ancestralidade negra

Parte importante da exposição está ligada à trajetória do Clube Social Negro 24 de Agosto, uma das instituições mais emblemáticas da comunidade negra do Rio Grande do Sul.

Fundado em 1918, o clube surgiu em resposta à exclusão da população negra dos espaços de lazer frequentados pela elite local. Desde então, tornou-se um importante ponto de encontro para atividades culturais, sociais e educacionais.

Ao longo de mais de um século, a entidade ajudou a preservar tradições, fortalecer laços comunitários e defender direitos. Atualmente, o prédio é tombado como Patrimônio Histórico do Rio Grande do Sul e funciona como Ponto de Cultura.

Sua história representa não apenas a resistência da população negra de Jaguarão, mas também a preservação da memória coletiva de toda a região do Pampa Sem Fronteiras.

Reprodução

Ação fortalece a preservação da história local

Os textos que acompanham a exposição foram elaborados por Caiuá Cardoso Al-Alam, Isadora Teixeira da Cunha, Kailany Gonçalves Foster, Lorrane dos Santos Medeiros e Natália Kreiss da Silva Costa. O projeto gráfico da mostra também foi desenvolvido por Isadora Teixeira da Cunha.

Mais do que resgatar registros históricos, a ação contribui para a valorização da memória negra de Jaguarão e amplia o reconhecimento de trajetórias que ajudam a compreender a formação social, cultural e identitária da região de fronteira e do Sul do Brasil.

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