(Atualizado às 00h43 de 15 de junho de 2019)
Jaguarão – João Pinto da Silva nasceu em Jaguarão em 1889 e faleceria em 1950 na Suíça. Foi um reconhecido homem das letras e ocupou cargos políticos, entre os quais, cumprindo importantes funções como chefe de gabinete e secretário de Borges de Medeiros. Atuaria ainda na imprensa jaguarense de sua época e na de Porto Alegre. Foi autor de livros ensaísticos, literários e de crítica. Escreveu o que alguns estudiosos chamam de “primeiro inventário da literatura sul-rio-grandense”: a História Literária do Rio Grande do Sul.

“As pessoas sabem que João Pinto da Silva é nome de rua aqui em Jaguarão, mas muitas não sabem quem ele é”, destaca Carlos Garcia Rizzon, professor do curso de Letras – com ênfase em Literatura e Língua Espanhola – na Universidade Federal do Pampa. A fala do professor, proferida em palestra de abertura da 3ª Jornadas de Estudos Fronteiriços: história, língua e literatura, em 4 de maio na Unipampa Jaguarão, é uma das reflexões tiradas de uma pesquisa em desenvolvimento, cujo tema ficaria um tempo guardado numa “gaveta”.
O estudo das obras de Pinto da Silva começaria em 2018, quando Rizzon soube do trabalho da professora Cássia da Silveira, do curso de História da Unipampa de Jaguarão, que desenvolve uma pesquisa sobre a “Trajetória histórica e política de João Pinto da Silva”. Da troca de ideias e de informações com a professora colega de universidade – com quem o professor dividiria uma mesa de discussões no primeiro encontro da 3ª Jornadas de Estudos Fronteiriços –, seria iniciada uma pesquisa e análise pormenorizada acerca das obras do escritor jaguarense.
A ideia de estudar o escritor jaguarense, contudo, remonta ao menos dois episódios da vida do professor de Letras, que soube de Pinto da Silva na condição de estudante de graduação na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, na década de 1980. Na mesma universidade em Porto Alegre, anos mais tarde, o assunto voltaria à tona. “Já leu João Pinto da Silva?”, perguntaria o professor Luís Augusto Fischer a um então aluno de doutorado, em 2006.
A pergunta ficaria guardada na memória do professor de Letras, que faria leituras de obras do escritor jaguarense relacionadas à produção de uma pesquisa sobre Pampa e Fronteira. Naquela época, “eu não tinha ideia que vinha morar em Jaguarão”, diz Rizzon, que desde o ano de 2008 é professor do curso de Letras no campus local Universidade Federal do Pampa.

Dos estudos já feitos, Rizzon cita a leitura crítica de História Literária do Rio Grande do Sul, com três edições identificadas: a primeira em 1924, a segunda no ano de 1930 e uma terceira em 2013. Trata-se de uma obra que apresenta um quadro panorâmico de autores gaúchos por uma perspectiva regional. Segundo o professor-pesquisador, Pinto da Silva ganharia o status de crítico-pensador que “buscou integrar o Rio Grande do Sul ao Brasil, pelo viés regionalista”.
Com a História Literária do Rio Grande do Sul, João Pinto da Silva teria influenciado a crítica e colaborado para o estabelecimento de uma tradição pampeana. Foi dele, por exemplo, um primeiro e representativo olhar crítico de João Simões Lopes Neto, autor de Cancioneiro Guasca (1910) e Contos Gauchescos (1912). O então reconhecimento dado por Silva Pinto ao escritor pelotense repercute até os dias atuais na História da Literatura Gaúcha e Brasileira.
Após analisar a História Literária, o próximo livro a ser analisado será A Província de São Pedro, publicado em 1930, obra que aborda a formação do Rio Grande do Sul. “A ideia é passar por todas as obras de João Pinto da Silva”, antecipa Rizzon, citando demais livros, entre eles, Estalactites (1918) e Vultos do meu caminho (com edições de 1926 e 1927).
(Foto de capa e galeria: Créditos de Diarios de la Pampería)
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