Me doeu gastar uma ligação de fixo para celular e meu tempo comprimido pelo excesso de trabalho com um pedido de correção jornalística. Mas tinha que assim fazê-lo. Somente pela vergonha na cara, pela decência…
– Alô?! É o fulano de tal?
Fulano de tal dá sinais de que não me ouve bem:
– O quê? Quem…? Da onde…?
Eu reiterei, com dada paciência:
– Aqui é o editor do Diarios… Tudo bem?
– Opa! Tu-do bem… com o senhor?
Fui direto:
– Fulano de tal, é o seguinte: estou ligando pra dizer que você publicou uma foto de minha autoria em seu blog ou no blog que traz o seu nome como editor…
Eu fazia referência à publicação de uma foto de…, feita por mim, isto é, de minha autoria, tomada… assim… de um jeito específico.
Eu percebi que o fulano de tal queria falar. Mas emendei, atropelando a sua fala:
– Detalhe, meu caríssimo: além de não dar o crédito, o seu blog registrou que a imagem feita por mim é de uma autoria outra; um cúmulo…! Tenho como provar que a foto é minha, hem.
Fulano de tal embargou a voz e, eu, fiquei ansioso pra saber de sua resposta.
Blá blá e blá.
Fulano de tal garantiu que iria publicar uma Errata na edição seguinte de seu blog.
Então contido… mas puto da vida, finalizei a ligação com um pensamento de dono de armazém e usando um travessão e um contorno de narrativa fictícia:
– “Como tem rato nesta cidadezinha!”.
Ratos? Pensei logo no conjunto da imprensa nacional:
– “Ra-tos…”
Não foi a primeira vez que me depararei com rrrrrra-tos; ou melhor, não foi a primeira vez que me deparei com uma crônica situação crônica. Por isso a determinação de rememorar esta historieta de gibi sem, contudo, expor demais a identidade alheia, porque numa historieta de gibi… há de ter sempre um personagem com um mínimo de correção.
Outro pensamento pós-ligação:
– “Que coisa. Que coisa!”.
Outro pensamento?
– “Jornalista que não reconhece ou não dá crédito a fonte de informação deve ser chamado de jornalista?”.
De fato, é difícil ter paciência com um hábito matreiro (e corriqueiro) que muitos redatores reproduzem; nem se o rato fosse um amigo mereceria um desconto? Aliás, o que leva um sujeito da dita imprensa a usar um conteúdo alheio sem citar o crédito devido, além de promover uma espécie rasteira de lei do menor esforço?
Arrisco-me. De quatro hipóteses, sugiro que o leitor ou a leitora fique com uma delas a respeito de nosso pretenso objeto de alegoria:
– Ou os ratos são ingênuos;
– Ou os ratos são espertos (ou dado a espertos);
– Ou os ratos são barbeiros (com bigodes grandes e sujos);
– Ou ou.
Que os leitores me perdoem, mas não dá pra ser condescendente com uma vítima de ratoeira.
Post scriptum: Caso queira citar ou republicar o texto, favor citar a fonte.
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Do título original “Rato na ratoeira ou uma historieta de gibi”, com algumas alterações; a crônica foi retirada do baú pessoal do autor de uma fotografia.
(Foto de capa desta crônica: Reprodução de imagem do curta Happiness)
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Um comentário sobre “Um alô cordial para um suposto blogueiro plagiador. Por Renato S. M.”