Jaguarão – O título deste texto é também o de um jornal surgido recentemente na fronteira sul do Brasil com o Uruguai. A aparente pretensão do nome parece esbarrar com a modéstia e sinceridade de seu criador, que diz ter fundado o veículo quase sem muita pretensão. “O jornal nasceu porque senti a falta de um informativo exclusivo sobre cultura na comunidade”, conta Luiz Carlos Contursi.
Natural de Porto Alegre e residente há um ano e meio em Jaguarão, ele chama a atenção do “acaso” para explicar a criação do jornal “Só Cultura – por toda a Jaguarão.” O propósito, o editor-proprietário destaca: “é levar uma pequena gota de informação cultural para as pessoas. Já que vivemos em um país que vive de costas para a educação e para a cultura”.
Aposentado, Contursi diz ter escolhido Jaguarão para residir após viver em Porto Alegre e Rio de Janeiro. Ele possui 50 anos de atuação profissional: ora trabalhando com jornal, ora com produção cultural. “Trabalhei muito tempo como fotógrafo e também fui cinegrafista”, diz.
Aos 76 anos de idade, o editor vive sozinho em uma residência no centro de Jaguarão. Sobre a família, ele expõe: “Filhos e netos moram nos Estados Unidos, em Nova Orleans”. Mas Contursi não está ou parece não se sentir sozinho. Criou o Só Cultura e com ele foi simultaneamente formando uma rede de amizades e relações pessoais em Jaguarão.
A sua vinda para a Cidade Heroica e a fundação do jornal meio que se confundem. Chegou à Jaguarão, mais precisamente, por intermédio de Carlos Marques, o Carlos Jaguarão. Com este, Contursi mantem uma amizade e conversas periódicas sobre a cultura musical em âmbito nacional.
“Tudo começou quando o paraense Nilson Chaves me apresentou ao Carlos. Da conversa entre nós, em Porto Alegre, surgiu a ideia de trazer para Jaguarão o evento Acorde Brasileiro-Encontro Nacional de Músicas Regionais”, conta.
Contursi é idealizador do Acorde, que discute músicas regionais e reúne artistas do Brasil inteiro. O projeto de uma nova edição do Acorde Brasileiro, reconhecido nacionalmente e realizado, com intervalos, desde a década de 1980, está em fase de desenvolvimento e a tendência é que, recebendo apoios e patrocínios, seja realizado Jaguarão.
Enquanto o Acorde Brasileiro não vira realidade, Contursi se dedica ao chamado jornalismo cultural. A cada 30 dias a sua rotina é produzir uma edição de Só Cultura. “No início, fui lidando com as pessoas. Fiz amizades e hoje tenho relação com muita gente boa em Jaguarão”, conta.
Três desses amigos-colaboradores, Contursi faz questão de citar: Cleber Carvalho, ativista cultural; Martins Cesar, escritor e compositor; e Elis Vasconcelos, produtora cultural. “São pessoas parceiras em todas as atividades culturais em Jaguarão, não apenas com o jornal”, diz.
O editor do Só Cultura conta que “é um esforço artesanal fazer o jornal”. Mas não esconde a satisfação em produzir um veículo transmissor de cultura e de algum modo cumpridor de uma função social. “Faço porque gosto. Não faço nada do que não gosto”, destaca Contursi. Mensalmente, são mil exemplares do Só Cultura distribuídos gratuitamente. Recebem o jornal, instituições municipais vinculadas à cultura, comerciantes e público em geral. “Muitas pessoas procuram pelo jornal”, diz o editor, em meio à produção de textos de uma nova edição.

(Foto de destaque com Luiz Carlos Contursi: Diarios de la Pampería)
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